Resenha: Noites Brancas, de Dostoiévski
Vamos falar sobre "Noites Brancas", de Dostoiévski, um clássico da literatura que, apesar de curto, consegue deixar uma sensação bastante difícil de explicar depois que chegamos ao fim.
Sobre o que é "Noites Brancas"?
A história acompanha duas pessoas que, em determinado momento, acreditam ter encontrado uma na outra algo parecido com o amor. Mas, conforme a narrativa avança, percebemos que esse sentimento pode ser também uma ilusão criada pela solidão, pelos dias tristes e pela necessidade de ter alguém por perto.
O que eu achei?
Quando comecei a leitura, confesso que achei a história um pouco lenta e arrastada. Aos poucos, porém, isso começou a fazer sentido quando a voz do Sonhador foi ficando cada vez mais clara para mim. Ele é um personagem quebrado, alguém que vive muito mais dentro dos próprios pensamentos do que no mundo ao seu redor. Existe nele um desejo enorme de ter alguém, quase como se outra pessoa pudesse consertar aquilo que ele não consegue resolver sozinho.
É justamente aí que Nastienka aparece.
Ela, por outro lado, está presa a um amor que acredita não ser correspondido e parece incapaz de se libertar dele para experimentar outras possibilidades. Os dois acabam se encontrando em um momento de fragilidade e, por alguns instantes, parecem enxergar um no outro aquilo que tanto procuravam.
O que mais me chamou atenção durante a leitura foi perceber como esse sentimento é construído de uma maneira que continua muito atual. A sensação de acreditar que finalmente encontrou alguém, de criar expectativas e depois descobrir que talvez aquilo só existisse para você é extremamente humana.
E talvez seja justamente por isso que o desenrolar da história traga tanta tristeza e, em alguns momentos, até indignação. Porque é fácil se colocar no lugar do Sonhador e entender a dor de ser rejeitado depois de acreditar que, finalmente, alguma coisa poderia mudar.
Ao chegar ao final, fiquei com a sensação de que Nastienka talvez nunca conseguisse seguir em frente sem o desfecho que teve. Já o Sonhador parece fadado a continuar sonhando com alguma coisa que nem ele mesmo consegue definir completamente.
Veredito
Vale a pena ler "Noites Brancas", principalmente por se tratar de um clássico que continua encontrando espaço em sentimentos tão presentes no nosso cotidiano. A história é bem construída e consegue transmitir com força os desejos dos dois personagens e a maneira como eles afetam diretamente a vida um do outro.
Ficha técnica
Título: Noites Brancas
Autor: Fiódor Dostoiévski
Título original: Belye Nochi (Белые ночи)
Gênero: Novela / literatura clássica
Publicação original: 1848
Editora: Penguin-Companhia
Tradução: Rubens Figueiredo
Páginas: 112
Nota: 4 ⭐
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