That's What I Like

By Débora Vicente - 01:02

(Parque da Independência/Museu Ipiranga - São Paulo, SP)

   Ia ser o dia perfeito, ele já tinha planejado tudo e faria uma grande surpresa pra ela.

   Ele havia planejado este dia desde o aniversário dela, mas ele dependia do (bom) tempo e naquele dia, ele (o tempo) não colaborou.
   Olhava o relógio a todo momento, passava todo o tempo mas não chegava o momento. Ela estava no andar de cima e não tinha idéia do que a esperava.
   Ele sabia que Abacaxi era o seu preferido. 2 colheres e um pacote de alcaçuz. Sim, ele a conhecia muito bem.
   14:28... 14:29... 14:30 - Chegou!!! O momento tão esperado chegou. Ele corre para onde ela está e quando ela sai, procurando por seu rosto ma multidão, ele a puxa pelo braço e saem correndo.
   Nas escadas, onde ninguém pode vê-los (ou ouvi-los), ele para, olha pra ela e a beija.
   Ela acha graça, já que só ele consegue fazer ela se sentir como uma adolescente novamente.
    - Vamos! Quanto mais demorarmos, mais tempo vai precisar para chegarmos lá!
(ele a chama, com ansiedade).
   E os dois amantes apaixonados descem as escadas, saem do prédio e começam a atravessar a alameda, a paisagem vai se transformando. O barulho diminuindo e o cheiro mudando.
  - Para onde vamos? Já esta ficando tão bonito!!! (ela comenta, encantada com a mudança de cenário).
   De repente uma fissura se abre no caminho e eles estão dentro do Parque Municipal da Cidade. Ela para.
   Dá um giro, analisando tudo ao seu redor e inspira fundo aquele cheiro gostoso de árvores, maravilhada com o que vê.
   Eles procuram uma sombra e sentam na grama, tudo ao redor é de um verde vivo, crianças correm ao redor, cachorros pegando suas bolinhas e levando de volta para seu dono, risos. Tudo lindo!
   Ele abre a mochila e tira seu sorvete preferido junto de 2 colheres amarradas com um fitilho dourado e um pacote de alcaçuz sabor morango. Os olhos dela brilham.
   Fazia tempo que ele procurava por uma brecha na rotina pra poder dar a ela um pouco de distração.
   Quem olhava de longe, via um casal feliz, comando sorvete e rindo das coisas bobas que conversavam baixinho para poder ouvir como fica abafado o barulho do mundo lá fora.
   Eles acabam de comer e ela boceja. Ele abre os braços e a acolhe num abraço aconchegante e seguro. Ela consegue ouvir o coração dele se acelerando, mesmo com pássaros cantando quando ela deita no seu peito e tranquilamente, cochila. Encostado numa arvore, ele cochila também sob a sombra dela (da árvore).
   Após algum tempo eles acordam e deitam na grama, lado a lado, dão as mãos e em silêncio ficam somente observando as nuvens passarem diante do sol.
   Então, ela agradece pelo presente maravilhoso que foi esta tarde. Ele a coloca em seu colo e acaricia seu cabelo suavemente, como a brisa que refrescava-os naquele momento.
   Aquela tarde, foi melhor do que qualquer presente físico que ela poderia ter ganho.
   Ele levanta a cabeça, os olhos se encontram e a mágica faz seu show, eles se beijam enquanto o sol se põe. Após este espetáculo perfeito e agradecimentos sem palavras, é hora de voltar para casa, mas com uma sensação de quê tudo está em perfeita sintonia mesmo em meio ao caos.

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