Beda #9: Rain Over Me

By Débora Vicente - 21:53


   Ela olha para aquele céu azul e não imagina que possa chover,
então, continua sua caminhada vazia, ela vai, vai destemida pelas ruas.

   Ruas cheias, cheias de pessoas, de carros, de sujeira, de barulhos, mas ela não os ouve;
ela segue com seu doi fone no ouvido, concentrada no que ouve e tenta achar sentido naquilo que está ouvindo.
   Ás vezes olha para aquele céu claro e procura algo que nem ela mesma sabe o que e entre uma olhada e outra, o imprevisível aconteceu: caiu um pingo do céu.
   E depois outro e outro mais e quando ela se deu conta, todos que estavam ao redor estavam alvoroçados atras de um guarda chuva ou de onde se esconder, os comerciantes abaixavam as tendas para cobrir suas lojas, os camelôs cobrem suas barracas pra não molhar suas mercadorias mas e ela? Ela continuou andando, desviava de um guarda-chuva na direita, ou alguém que está tentando se esconder na esquerda.
   Continuou sua caminhada. Caminhou o mais devagar possível, não queria chegar em casa tão cedo..
   A muito tempo vinha pensando em tomar um banho de chuva, mas a possibilidade só ficava em sua mente, então ela seguiu, tinha mil e um pensamentos na cabeça mas ao mesmo tempo, tinha nenhum, ela deixava a chuva escorrer pela sua face, ela se entregara a chuva de corpo e alma, não ligava se tinha alguém olhando ou criticando-a.
   Ela resolveu curtir a chuva, abriu os braços e rodou com uma alegria que não sentia a algum tempo, pulava nas poças de água e brincava com as gotas que voavam ao seu redor e ria,como ria.
   Ria sozinha, ria de sentir como uma criança no meio de uma avenida movimentada, não ligava se tinha alguém ao redor, não escutava nada ao seu redor e não via ninguém ao redor.
   Fechava seus olhos e se imaginava em um campo, um campo verde e molhado, cheio de arvores,  flores de todas as cores e ela corria pelo campo, não via seu fim nem o fim de toda a beleza que havia nele.

   Mas como um sonho, ela teve que abrir os olhos... estava no portão de casa. Aos olhos dos vizinhos: uma adolescente louca, toda encharca no portão de casa com a chave na mão esperando algo que eles não sabiam o que era.

   Como ela se sentia? Ela se sentia bem, mesmo com algumas dificuldades para andar por conta da roupa molhada, não se arrependia do que fez durante seu caminho de volta a casa.
   Aproveitou cada instante que pode, pois sabia perfeitamente que não havia garantias de que isso pudesse se repetir - pelo menos não tão cedo -.



Fonte: Finding Neverland Tumblr




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